De repente atleta de audições

Nunca havia feito uma audição na minha vida e, de repente, fiz três no período de um ano. Todas foram concorrendo a uma vaga na minha queridíssima e amada Escola do Teatro Bolshoi no Brasil, mas sim, nenhuma das vezes passei da fase dos exercícios em barra.

Parece loucura, mas além das cidades próximas, fiz minha família inteira se locomover, de carro, até Joinville nas férias, apenas para participar da audição anual. 40 meninas de 1998 para algumas vagas no Curso Médio, oito passaram para as fases de ponta e centro, que eu saiba, apenas uma ou duas tiveram a chance de ingressar na escola. Imagina a sensação?

Tenho sonhado em fazer parte desse mundo minha vida inteira! Quando tive o primeiro contato com o ballet, tinha três anos, depois entrei em uma pequena academia, onde passei dois anos praticamente como aluna particular e, aos poucos, iam entrando e saindo algumas outras meninas (inclusive uma xará minha). Passei os próximos seis anos em outro estúdio, onde fiz muitas amigas e consolidei “o brilho nos olhos”: o ballet tinha me conquistado por inteira. Tudo o que eu queria era ser Swanilda e balançar o trigo, estar vestida à camponesa e ser a que acompanharia, bailando, toda a música.

Troquei de escola novamente, desta vez fui para uma mais forte, focada na técnica, na dança, em todo o complexo. Lá fiquei três meses e descobri que, nesse meio, as flores ficam para o público, nós, com o trabalho, a dor, a pressão, o “nunca estar perfeita o suficiente”. Em abril eu já não aguentava mais, queria sair, voltar a pensar que posso desenvolver e buscar o talento em outra área. Chorei muito nessa época. Queria ter ao menos base, noção do que eu estava fazendo, poder dar uma pirouette sem descobrir que tudo que tivera aprendido minha vida toda estava errado. Parei de fazer ballet.

O que acontece é que aquela sensação ainda não tinha desaparecido, sabe? Quando escutava músicas de Coppélia, eu ainda sonhava em ser Swanilda, queria aprender fouettés e ter pernas absurdamente alongadas e flexíveis. Ser Svetlana Zakharova, ser Evgenia Obraztsova, ser Miko Fogarty, e por que eu não conseguia?

Minhas amigas davam aulas de dança do ventre e, em busca de novas perspectivas, fui fazer uma aula experimental e, sinceramente, eu achei sensacional, adorei a aula mesmo, mas não me vi ali, não achei que era para mim. Nessa época, minha amiga da escola e do antigo estúdio de dança, comentou sobre uma professora, muito boa e didática, que dava aula ali perto. Fomos lá tentar. Adorei, amei, voltei. Uhuul. Ballet, estou de volta.

Agora, 4 de agosto, completo exato um ano de renascimento (haha). E quanta coisa consegui melhorar, mas, principalmente, quanta coisa eu AINDA PRECISO MELHORAR! Socorro! Mas acho que é por isso que a gente ama tanto esse esporte, essa arte.. É difícil, é desafiante, é tradicional e é novo. Ballet, eu te amo.

As minhas novidades e aventuras, compartilho com o tempo, logo tem mais!

Com todo carinho,

Arissa Ayumi

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